45% das PMEs sofreram ataque cibernético no último ano, aponta estudo ESET

Um novo estudo da ESET revela que 45% das pequenas e médias empresas sofreram ao menos um incidente de cibersegurança nos últimos 12 meses.

Um novo estudo da ESET revela que 45% das pequenas e médias empresas sofreram ao menos um incidente de cibersegurança nos últimos 12 meses, enquanto phishing, senhas fracas e shadow AI ampliam os riscos digitais das PMEs em 2026.

Quase metade das pequenas e médias empresas do mundo sofreu pelo menos um incidente de cibersegurança no último ano. O dado vem do SMB Cyber Readiness Index 2026, levantamento global da ESET realizado com 4.400 tomadores de decisão de empresas com 25 a 1.000 funcionários, distribuídos em 13 países da América do Norte, Europa e Ásia.

Os números revelam um cenário de alerta: 45% das PMEs registraram ao menos um incidente, sendo que 14% enfrentaram mais de um. Além disso, 61% dos entrevistados afirmam estar seriamente preocupados com ataques cibernéticos nos próximos meses, e 75% consideram conflitos geopolíticos e guerras cibernéticas uma ameaça real às suas operações.

O estudo identifica os principais vetores de ataque, aponta a ascensão da chamada "shadow AI" como fator de risco crescente e traz recomendações práticas para empresas de todos os portes reduzirem sua exposição.


Os números do estudo ESET 2026

O SMB Cyber Readiness Index 2026 é um dos maiores levantamentos de cibersegurança voltados especificamente para pequenas e médias empresas. Os dados foram coletados em 13 países e cobrem desde percepção de riscos até práticas de resposta a incidentes.

Entre os pontos mais relevantes: 45% das PMEs sofreram ao menos um incidente de cibersegurança nos últimos 12 meses. Desse total, 14% relataram mais de um incidente no mesmo período. A recuperação após um ataque também é lenta: 34% das empresas afirmaram levar entre duas e seis semanas para normalizar suas operações, um intervalo que pode representar perdas financeiras significativas para organizações com recursos limitados.


Do lado positivo, o relatório aponta avanços. Mais de um terço das empresas conseguiu investigar incidentes em menos de duas semanas. Apenas 11% operam com proteção mínima de cibersegurança, e 87% consideram a educação dos funcionários muito importante ou crítica para a resiliência digital. Além disso, 67% realizam treinamentos mais de uma vez por ano.


Phishing, senhas fracas e vulnerabilidades: os vetores mais comuns

O estudo da ESET identifica os principais caminhos usados por atacantes para comprometer PMEs. Phishing lidera a lista, explorando e-mails falsos que induzem funcionários a clicar em links maliciosos ou fornecer credenciais. O vetor segue sendo o mais eficiente porque ataca o elo mais fraco de qualquer sistema: o comportamento humano.

Senhas fracas e reutilizadas aparecem em seguida. A prática de usar a mesma senha em múltiplos serviços expõe a empresa inteira quando qualquer credencial vaza. Vulnerabilidades sem correção completam o trio: sistemas desatualizados continuam sendo vetores exploráveis, especialmente em ambientes com muitos endpoints que não recebem patches automaticamente.

Mario Micucci, pesquisador de segurança da informação da ESET América Latina, destaca que a gestão de pessoas segue sendo um dos pilares mais importantes da segurança corporativa. Para a ESET, estratégias preventivas, avaliações periódicas de risco e melhoria da governança de TI são os caminhos centrais para reduzir a superfície de ataque.


Shadow AI: o risco invisível dentro das próprias empresas

Um dos pontos de maior atenção no SMB Cyber Readiness Index 2026 é a chamada "shadow AI": o uso de ferramentas de inteligência artificial por funcionários sem aprovação, controle ou monitoramento da área de TI. O comportamento cria riscos que os controles de segurança tradicionais não foram projetados para detectar.

O relatório indica que muitas PMEs ainda não possuem políticas claras para o uso de ferramentas de IA no ambiente de trabalho. Sem esse controle, dados sensíveis da empresa podem ser inseridos em plataformas externas de IA sem qualquer rastreabilidade, e o processamento dessas informações escapa dos limites do perímetro corporativo.

ESET SMB Cyber Readiness Index 2026

Embora ataques cibernéticos totalmente automatizados por IA ainda sejam relativamente raros, a tecnologia já é amplamente utilizada por atacantes para potencializar campanhas de phishing, criar mensagens de engenharia social mais convincentes e identificar vulnerabilidades com mais velocidade.



O paradoxo da confiança: seguras, mas vulneráveis

Um achado importante do relatório é a discrepância entre confiança percebida e vulnerabilidade real. Mesmo com 45% das PMEs tendo sofrido incidentes, 68% afirmam estar confiantes em sua capacidade de prevenir ataques, e 75% dizem confiar em sua resiliência para responder a incidentes.

Esse paradoxo pode ser explicado por uma percepção equivocada do que constitui um incidente grave. Muitas empresas registram eventos menores de segurança sem reconhecê-los como ataques formais, o que distorce tanto a estatística de incidentes quanto a autoanálise de capacidade de resposta.

Outro dado relevante: 65% das PMEs estão satisfeitas com seus orçamentos de cibersegurança, e outros 15% estão "mais que satisfeitos". Ainda assim, apenas um terço consegue investigar e responder a incidentes em menos de duas semanas, o que sugere que o problema não é apenas de investimento, mas de aplicação e processos.


Recomendações da ESET para PMEs em 2026

A ESET recomenda que PMEs concentrem esforços em estratégias preventivas em vez de reagir apenas após incidentes. As principais orientações incluem avaliações periódicas de risco, melhoria da governança de TI, atualização constante de sistemas e adoção de serviços especializados de monitoramento e resposta.

No campo prático, os especialistas sugerem: implementar autenticação multifator (MFA) em todos os acessos corporativos; estabelecer políticas claras de uso de ferramentas de IA no trabalho; identificar e controlar o uso de tecnologias não autorizadas (shadow IT e shadow AI); realizar treinamentos regulares de conscientização em segurança; e adotar abordagens de Zero Trust para o acesso a recursos corporativos.

O relatório completo está disponível no site da ESET em formato PDF para download gratuito.


Contexto brasileiro: PMEs sob pressão

Embora o SMB Cyber Readiness Index 2026 tenha sido conduzido em 13 países sem cobertura específica do Brasil, o cenário global reflete tendências que se aplicam diretamente ao mercado nacional. O Brasil é historicamente um dos países mais atacados da América Latina em volume de tentativas de phishing, ransomware e fraudes digitais, segundo relatórios da própria ESET e de outras empresas de segurança como Kaspersky e Check Point.

PMEs brasileiras enfrentam os mesmos desafios apontados no estudo: equipes de TI enxutas, orçamentos limitados e funcionários que usam ferramentas pessoais e de IA sem supervisão adequada. A combinação cria uma superfície de ataque ampla e difícil de monitorar sem ferramentas especializadas.

A expansão do trabalho híbrido e o uso crescente de IA generativa no dia a dia corporativo tendem a ampliar ainda mais esses riscos nos próximos meses. Para Micucci, da ESET América Latina, a solução começa pela conscientização: reconhecer que nenhuma empresa é pequena demais para ser alvo é o primeiro passo para uma postura de segurança mais sólida.

Perguntas frequentes

O que é shadow AI e por que é um risco para empresas?

Shadow AI é o uso de ferramentas de inteligência artificial por funcionários sem aprovação ou supervisão da área de TI. O risco está na possibilidade de dados sensíveis serem inseridos em plataformas externas sem controle, além de criar pontos cegos na segurança corporativa.

Qual foi o principal resultado do estudo ESET sobre PMEs em 2026?

O SMB Cyber Readiness Index 2026 da ESET revelou que 45% das pequenas e médias empresas sofreram ao menos um incidente de cibersegurança nos últimos 12 meses, sendo que 14% registraram mais de um ataque no período.

Quanto tempo as PMEs levam para se recuperar de um ataque cibernético?

Segundo o estudo da ESET, 34% das PMEs levam entre duas e seis semanas para normalizar suas operações após um incidente. Apenas um terço consegue investigar e responder em menos de duas semanas.

Quais são os principais vetores de ataque contra PMEs?

Os vetores mais comuns são phishing, senhas fracas ou reutilizadas, vulnerabilidades sem correção e o uso não supervisionado de ferramentas de IA (shadow AI). Todos exploram falhas de comportamento humano ou gestão de sistemas.

Como pequenas empresas podem melhorar sua segurança cibernética?

A ESET recomenda: implementar autenticação multifator, realizar treinamentos regulares de segurança, estabelecer políticas de uso de IA, manter sistemas atualizados e adotar ferramentas de monitoramento contínuo. Avaliações periódicas de risco também são fundamentais.

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